Lendas e Tradições

Lenda de D. Thedon

Segundo a lenda, D. Thedon e D. Rosendo, cavaleiros cristãos que, nos princípios do séc. XI, combatiam a mourama instalada na vertente do Douro, passaram por esta terra a que hoje chamamos de Granja do Tedo e aqui se quedaram por algum tempo. Agradado com o sítio, D. Thedon assentou aqui residência e construiu casa e granja.
Tal era a valentia e tais os feitos de D. Thedon em combate que acabou por conquistar também o coração de uma princesa moura, Ardinga ou Ardínia, filha de D. Alboazan, Rei Mouro de Lamego, que os cavaleiros combatiam. Por amor a D. Thedon, a princesa moura, acompanhada de uma dama de companhia, fugiu para a Ermida de S. Pedro das Águias, à esquerda do rio Távora, onde o monge Gelásio a recebeu, instruiu e converteu, pelo baptismo, ao Cristianismo, para poder casá-la com D. Thedon. Alboazan, o Rei Mouro, ao saber da fuga da filha, tomou-se de ira e seguiu Ardinga até ao santuário, onde a matou e atirou ao rio Távora, antes que a sorte a tivesse unido alguma vez ao cavaleiro. Ao receber tal notícia, D. Thedon jurou morrer solteiro e nunca mais descansar a espada na luta contra os sarracenos.
Diz a história que o Rei Alboazan, morto por D. Thedon, foi a enterrar no monte vizinho, que ficou a chamar-se Monte Rei. O cavaleiro, esse, lutou corajosamente até que, apanhado à traição, foi morto em combate e o seu corpo mutilado atirado às águas do rio que hoje usa o seu nome: o Rio Tedo.

 

O Cisma da Granja do Tedo

Entre os anos de 1840 e 1847, não se sabe bem por que caminhos, a família dos Custódios (José Custódio, mestre escola, e Cristina Gaspar), pais de doze filhos, entregaram-se a um estranho culto para o qual arregimentaram numerosos adeptos. Presidia uma das filhas, Maria das Neves, que se intitulou Maria Coroada, espécie de sacerdotisa herética e devassa que reinventou uma torpe liturgia a partir de uma catequese antiga e cristã. Diz-se, para mais, que era mãe da Mulher-Homem de Granja do Tedo. Finalmente o administrador do antigo concelho de S. Cosmado pôs fim, através de ameaças, àquelas práticas. Uma velha casa, no Povo de Baixo, voltada para o rio Tedo, é lembrada ainda como a Casa das Coroadas.

 

História da Mulher-Homem

Chamou-se, no baptismo, Maria da Trindade e era filha de Maria das Neves ou Maria Coroada. Nascida em Quintela (Sernancelhe), foi, ainda criança, para Granja do Tedo (1851). Vestiu-se como rapaz e adoptou o nome de António das Neves, estatuto que manteve pela vida fora, na escola, no trabalho à jorna pelo Douro e como empregado de comércio, no Porto, mais tarde. Cultivou a amizade de uma rapariga da Granja do Tedo, mas adiou sempre o casamento. Correndo o ano de 1879, certo dia, no Porto, a polícia suspeitou da estranha situação de António das Neves, que não trazia consigo documentos militares. Foi levado a Tribunal mas logo libertado devido às boas referências de toda a gente. Readquirindo um estatuto de mulher casou nesse mesmo ano com o filho de um antigo patrão. Morreu tragicamente no incêndio que, em 20 de Março de 1888, deflagrou no Teatro Baquet.

 

As Tradiçoes de Longa

Como quase todas as terras de Tabuaço, a freguesia de Longa é bastante rica em lendas e tradições. Uma das tradições que se perdeu foi a da cozedura do pão num forno que era utilizado por toda a povoação. Há uns anos atrás, havia aqui dois fornos comunitários, que entretanto encerraram, porque as pessoas começaram a construir fornos em suas casas. Todas a gente que cozia o pão nesses fornos, tinha como tradição dar um pão - "a merenda" - ao dono do forno. Pelo S.João, faziam-se antigamente festejos populares e as tradicionais cascatas, muito concorridas pelo povo de cima e pelo povo de baixo. Cada um dos povos gostava de apresentar a melhor cascata e o melhor baile. Num ano, os do povo de baixo foram ao povo de cima, e como os viram a dormir, roubaram a cascata. Houve então pancadaria rija entre os dois povos. Actualmente, já não se fazem as cascatas, pois os festejos de S. João, em Tabuaço e Moimenta da Beira, atraem muitos dos habitantes de Longa.